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Viagem no tempo

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Viagem no tempo

Cada voz que assombra a noite,

Traz memórias da infância,

Tardes cinzentas, contidas,

Nada de muita importância.

Calor que emana do fogo,

Frio que se entranha no corpo,

Mãos que timidamente arrefecem,

Afetos que sabem a pouco.

Nessa viagem no tempo,

Esgoto as minhas memórias,

Descubro caminhos ocultos,

Desfaço pedaços da história.

Revivo alguns dos meus sonhos,

Com rostos que já se apagaram,

Sorrisos presos no vento,

Promessas que nunca chegaram.

As horas correm sem pressa,

No relógio da memória,

Carrego ausências caladas,

Marcadas em cada vitória.

E ao fim dessa travessia,

Com cicatrizes na mão,

Aprendo que a dor também canta,

Nas notas do coração.

© Eduardo Brazão 2026 · All rights reserved